A mulher moderna investe na bolsa!
Abril
2007
Superar o desejo de consumo e os atrativos lançamentos das vitrines das lojas para investir no mercado financeiro, mais especificamente, na Bolsa de Valores. É esse o desafio que algumas mulheres aceitaram em busca de sua independência financeira.
Falar em investimentos, a princípio, não parece um assunto tão agradável, principalmente para mulheres. Entretanto, os primeiros contatos com o tema podem minimizar as dificuldades transmitidas ao longo de gerações, garante a jornalista Andrea Assef, co-autora do livro "Meninas normais vão ao shopping. Meninas iradas vão à Bolsa".
"É preciso vencer o medo e a história de que o tio, certa vez, investiu o dinheiro em ações e perdeu tudo. A Bolsa, de fato, tem um certo risco, mas é uma opção que deve ser avaliada", garante.
Ao longo das 106 páginas recheadas com desenhos coloridos do livro, Andrea Assef e Mara Luquet buscam mostrar às mulheres que o mercado financeiro pode ser facilmente compreendido. Para as autoras, com um pouco de disposição e informação, o mundo pode ser muito mais amplo do que os corredores de um shopping center.
Para Andrea, o próprio perfil feminino assegura possibilidades de sucesso nesse tipo de investimento. "Quem está acostumada a tratar com homem, com certeza não terá problema com a Bolsa. Afinal, os dois são instáveis, mudam de humor, mas a gente sabe como lidar com isso", brinca a jornalista.
E a diferença de comportamento em relação aos homens pode ser um trunfo para as mulheres. "A mulher aceita muito bem o risco. Ela é conservadora, não fica trocando o portfólio", explica Ângela Barros, coordenadora do programa Mulheres em Ação, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
"O homem é muito autoconfiante. Ele pode estar perdido no meio do mato, mas não pára para pedir informação. Essa sensação de sempre ter informação privilegiada, de ser dono de suas ações pode ser prejudicial quando o assunto é investimento", completa Andrea Assef.
Outro gigante na busca pela independência financeira que as mulheres enfrentam é o consumismo. Como abrir mão de comprar os últimos lançamentos da grife favorita ou a mais nova linha de cosméticos lançada no mercado para poupar dinheiro?
"Gastar realmente é melhor do que poupar", reconhece Andrea. "O importante é ela ter consciência de que esse esforço, ainda que pequeno, hoje, vai valer a ela um futuro muito melhor", completa.
Ao contrário do que muitos imaginam, investir em ações não requer uma grande quantia de dinheiro. Com pouco recurso é possível iniciar uma carteira que pode render uma aposentadoria bem mais confortável no futuro. Para colocar o primeiro pé na Bolsa, a investidora deve, inicialmente, procurar uma corretora de ações.
"O site da Bovespa traz uma lista com as corretoras credenciadas que ela deve procurar", recomenda Andrea. "É muito importante a investidora estar muito bem informada do que está fazendo. Conhecimento é fundamental para reduzir os riscos."
Com a corretora selecionada, a investidora pode começar a comprar suas ações, via Internet ou por telefone.
Entre em ação
Para aproximar a mulher do mercado financeiro, a Bovespa conta, desde 2003, com um grupo especialmente dedicado a mulheres investidoras, o 'Mulheres em Ação'. "Nosso objetivo é aproximar o público feminino do mercado de ações, com palestras informativas para grupos de mulheres em empresas e na própria Bovespa", conta Ângela Barros, uma das coordenadoras do projeto.
Segundo dados da Bovespa, em março de 2007, dos 241.498 investidores pessoas físicas, 20,35% (52.172) são mulheres. "A grande maioria delas credenciou seus investimentos em clubes de investimento, que são pessoa jurídica e não aparece nesse percentual", afirma Ângela.
No livro "Meninas normais vão ao shopping. Meninas iradas vão à Bolsa", as autoras recomendam à investidora procurar equilíbrio nos investimentos. "Vale a idéia de não colocar todos os ovos na mesma cesta", explica a autora.
"A pergunta mais freqüente que recebemos é em relação ao capital inicial para os investimentos. A gente explica que não há valor mínino. A pessoa pode procurar clubes de investimento, a maneira mais didática de começar no mercado financeiro", recomenda a coordenadora do Mulheres em Ação.
Com uma carteira equilibrada, é possível se surpreender com os investimentos. Quem aposta na Bolsa de Valores deve ter em mente que se trata de um investimento a longo prazo. "A idéia é investir um dinheiro que você não vai precisar dele daqui a um ou dois anos", diz Ângela.
Sem revelar se é uma mulher "irada" com investimentos na Bolsa, Andrea garante que hoje é mais resistente ao consumismo. "Eu adoro comprar. Mas, hoje, posso tirar o dinheiro da minha carteira sem me preocupar com o rombo que a compra vai trazer às minhas contas. Isso é o melhor."

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