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Poupar é para quem pode!

burocraciasuavida 31-03-2007 GTM 1 @ 16:59

Duas novidades mexeram com a grana dos brasileiros, tanto daqueles capitalizados quanto daqueles endividados, estes a grande maioria...
O Banco Central continuou com sua política de baixar a Taxa Selic, agora no nível de 12,75% ao ano, o que deve continuar dando mais alento para empresas que precisam de capital de giro, isso se os bancos acompanharem a tendência e baixarem também suas taxas (coisa que só ingênuo é capaz de acreditar).
Da mesma maneira, os aplicadores em fundos de investimento, principalmente os chamados Fundos DI (que pagam uma remuneração pós-fixada que depende de quanto está a cada dia a taxa Selic) passam a ter uma remuneração menor, coisa com a qual é bom irem se acostumando se querem ver o país, um dia, crescer a ritmo parecido com o das economias mundiais.
Por outro lado, com uma remuneração menor, os aplicadores dos fundos começaram a olhar para o lado e a comparar seus rendimentos, em contínua queda, com a remuneração da caderneta de poupança com sua conhecida taxa nominal de 6% ao ano mais TR.
E com isso surgiu o risco de haver uma fuga de recursos dos Fundos para a abandonada caderneta de poupança, coisa que passou a preocupar o endividado-mór do país, o governo-goela-grande, pois, sem recursos, os fundos não têm como continuar comprando os títulos representativos da dívida pública.
E aí, como fazer, já que manda quem pode e obedece quem pode menos? Ora, mexer no bolso dos pobres aplicadores que sempre foram fiéis à caderneta: e aí, o! E foi o que o governo fez: além do mais, os pobres, com pouco estudo, são sempre enganados e não vão nem notar...
Até gente muito boa, que teve a chance de estudar em escolas particulares, não sabe bem o que se passa com a caderneta de poupança. A taxa de fato é maior que sua linguagem expressa: é 0,5% ao mês, que dá 6,17% ao ano, e não é (+) TR e, sim, (x)(1+TR), o que melhora seu rendimento.
Daí, agora, o grande devedor com sua costumeira cara-de-pau mudou a regra para diminuir, no peito, a remuneração da coitadinha que durante anos amargou taxas bem menores que as dos fundos, mudando o coeficiente da TR. Bonito!
E qual o grande parceiro na sugestão? Ora, os bancos, como não podia deixar de ser! Eles ganham, na moleza, taxas de administração (!) anuais que são muito maiores que as taxas de juros (!) do Japão! Para os fundos de pobres, aqueles que aceitam qualquer valor de aplicação, essas taxas vão de 2% a 5% ao ano, sem risco! Bonito! Claro que eles preferem isso do que financiar imóveis com recursos da caderneta, embora seus “spreads” sejam maiores, mas com risco.
E não pára por aí: consta que o governo já lançou um balão de ensaio dizendo que logo adiante pensa em cobrar Imposto de Renda da caderneta! Isso com a mesma desculpa de equilibrar os rendimentos, mas, para quem está acostumado, é para aumentar ainda mais a arrecadação, dessa vez cobrando na fonte do bolso dos pobres-coitados-pobres. E o próximo passo é capaz de ser cobrar a desviada CPMF da saúde.
Afinal, é na caderneta de poupança que a grande massa de desfavorecidos deste país tenta guardar suas minguadas economias, mas o rio corre para o mar. E o mar só está para peixes grandes que auto-aumentam seus próprios salários para sobrar mais...

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